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Pesquisa

PERFIL ACADÊMICO
Mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo desde 1998 sob a orientação do Professor Doutor Joaquim Guedes Sobrinho na Área de Projeto, com a opção em pesquisa e projeto de um Museu para a cidade de São Paulo, o MiN - Museu da Instalação, sendo a dissertação intitulada: Arquitetura de Museus - A Produção Mundial Arquitetônica em Exposição.

A DISSERTAÇÃO
O projeto que poderá ser visto a seguir deriva de uma exaustiva e difícil pesquisa, até porque, a despeito da minha pouca habilidade para a coleta, fichamento e transcrição de texto, nada existia sobre o tema à época em que a pesquisa foi elaborada. Para tanto as sempre benvindas viagens ao exterior foram de muita valia para a visitação dos exemplos 'in loco', além da compra de material inédito que era todo ele traduzido ecompilado, que somado `as minhas próprias observações contituiram o escopo da dissertação. Isto revelou o meu real desejo de realizar uma dissertação ainda que inédita mais principalmente verdadeira, no sentido de que todas as palavras alí contidas eram minhas. Tudo que foi escrito pertence ao meu universo de conhecimento, descartando a repetição de textos embaralhados ou cópias de rodapé de livros. É um trabalho pessoal em que transparece tudo que desejo e espero de uma boa e correta arquitetura, condizente ao seu destino, forma e função. Não se pretendeu em nenhum momento fixar um paradigma de museu mas sim verificar a possibilidade da idealidade de um museu para com o seu programa, seu tema e seu caráter préviamente propostos.O objetivo principal desta dissertação foi propor um novo museu para a cidade de São Paulo sob padrões atuais e dirigido ao século 21. Para tanto elaborou-se um projeto de um museu destinado às artes contemporâneas dando destaque às instalações, em nível de ante-projeto e localizado no Parque Alfredo Volpi no Bosque do Morumbi. Para subsidiar esta proposta/projeto efetuou-se uma pesquisa sobre a evolução da Arquitetura de Museus em todo o mundo, sua participação no progresso tecnológico, novos conceitos e padrões e principalmente as transformações ocorridas com a introdução da Nova Museologia e suas causas. Esta pesquisa foi dividida em quatro partes: Um painel evolutivo da arquitetura de museus precedente ao 'Boom Museológico' ocorrido neste último quarto de século. Um estudo da relação museu-visitante, a elaboração de um programa bem como a estruturação do corpo de um museu. A análise de quinze projetos selecionados e divididos em cinco áreas - Reestruturação, Anexos e Ampliações, Projetos Completos, Galerias e Futuros Museus. Uma conclusão sobre esta evolução museológica, suas causas e efeitos e dados relevantes para a elaboração de um museu atual.

NOVA MUSEOLOGIA
Da clássica definição grega para a palavra museu: "Mouseion - Templo das musas" à do Conselho Internacional de Museus (ICOM) : "Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, e aberta ao público, …" muita coisa mudou. E não seria diferente com esta instituição tão festejada e que neste último quarto de século serviu de pano de fundo para as inovações tecnológicas e estéticas da arquitetura. Conceitos como exposição itinerante, lojas, livrarias, restaurantes e até boutiques nas dependências do museu, cobrança de ingressos e aluguel de espaços internos do museu, certamente fogem da definição acima. É claro que mediante a inúmeras crises financeiras e a cada vez maior dificuldade dos museus contarem com o subsídio governamental, estadual ou municipal acabou obrigando-os a partir para novas frentes de arrecadação. Iniciou-se com a cobrança de ingressos, depois com o advento da museologoia americana, inaugurando livrarias, cafeterias, restaurantes até lojas de griffes e desfiles como vemos hoje no Carroussel do Louvre em Paris. Sim, os museus precisam de dinheiro para sobreviver e sua manutenção é caríssima. Infelizmente, apesar de todas essas novas alternativas, ainda émuito pouco pois segundo a Associação Americana de Museus, todo o lucro das livrarias, lojas e etc…cobre somente 10% das despesas totais de manutenção, folha de pagamento, contas e serviços auxiliares. Quando não também da exposição em sí, para aquelas não patrocinadas. O PAPEL DOS MUSEUS MUDOU! Até 1970 os museus se distinguiam por temas como Antropologia, Belas Artes/ Arte Moderna/Arte Contemporânea, Arqueologia, História Natural/Social, Ciencia/Tecnologia. Agora nos deparamos com um turbilhão de novos temas, é a chamada 'Especificação dos Temas de Museu' que gerou sua multiplicação. Hoje encontramos Museu da Madeira (Japão), Museu do Sapato - Bata Shoe (Canadá), Museu da Alimentação (Suiça), Museu dos Vikings (Roskilde/ Dinamarca), Museu da Moda (França), e etc… São muitos, mas o que de mais interessante eles tem em comum é que a grande maioria trata da nossa sociedade e sua evolução inserida em outros temas, ou seja, é sempre a humanidade e sua história em questão. Isso nos permite concluir que descartando a banalizaçnao da arte e do material expositivo, a multiplicação de temas veio a acrescentar novos conhecimentos e parâmetros da nossa sociedade. O 'Boom Museológico' ocorrido neste último quarto de século trouxe com ele além de novas definições estéticas e museológicas - Nova Museologia, uma corrida acirrada entre arquitetos, que demonstrou que a Arquitetura de Museus foi a grande vedete deste final de milênio, assim como os Palácios e as Fábricas outrora foram. Cada grande arquiteto sem exceção elaborou um projeto de museu; Mies Van Der Rohe, Le Corbusier, Louis Kahn, Frank LLoyd Wrigth (o mais feliz deles, com o Museu Guggenheim em N.Y.), Alvar Aalto, Renzo Piano e Richard Rogers, Gae Aulenti, I. M. Pei, James Stirling, Norman Foster, Robert Venturi, Richard Meier, Frank O. Gehry, Arata Isozaki, Hans Hollein, Kisho Kurokawa, Jean Nouvel, Rem Koolhass, Aldo Rossi, Mario Botta. Não se pode dizer, entretanto que o excesso gerou as discrepâncias de projetos que podemos averiguar, nem tão pouco a guerra de 'egos'. Mas com certeza podemos afirmar que a pluralidade de idéias e formas provem da diversidade de autores. Porém o que se verificou foi que uma deformação do entender o que seria um projeto de museu ocorreu. Hoje em dia o que deveria ser um envólucro da exposição a ser apresentada tornou-se a 'obra de arte em sí'. É só pegarmos exemplos como o Museu Gugenheim de Bilbao de Frank O. Gehry, ou o menos recente Museu de Arte Moderna de Frankfurt de Hans Hollien, nos quais a forma sobrepõe o conteúdo, a despeito da qualidade arquitetônica ou inovação tecnológica que estes exemplos venham a possuir. Certamente eles extrapolam o conceito primordial dos museus de expor as obras de artes. Os museus se tornaram uma programação tão ampla que não podemos culpar o expectador de ir ao Museu do Louvre só para ver a pirâmede do Pei. O que ocorre é que agora o museu não é mais, ainda que se tenha deturpado a idéia inicial, um programa unitário. Hoje além de apreciarmos obras de arte maravilhosas, podemos também tomar um café, comprar um bom livro, quase sempre a um bom preço, almoçar e até fazer umas comprinhas. A sociedade e o seu fazer se modificaram nos últimos tempos. A grande maioria das pessoas não tem mais tempo, por isso procuram aglutinar suas atividades. O desemprego ou redução de jornada ou até as diferentes atividades proporcionaram tempo livre variado, o que também de uma certa forma modifica o horário e a permanência nos museus de todo o mundo, principalmente nas grandes metrópoles. O Louvre alterou o seu horário, extendendo até as 22:00 horas um dia por semana para atender um específico público. Da mesma maneira que também alterou a tarifa durante a tarde, mais barata, para estimular uma outra fatia de mercado. Se a sociedade, os arquitetos, a complexidade do programa com a inserção de novos valores expositivos/educacionais/de pesquisa/comerciais/utilitários; Se a maior preocupação por parte dos curadores e expositores em melhor expor e informar; Se o fascínio que o museus exercem sobre a sociedade e sua necessidade de colecionar e ver coleções; Se a especificação do tema, a intensificação da política cultural, a crescente estimulação ao turismo mundial e a visitação a museus e, por fim, se a necessidade de novos espaços e formas de exposição para abrigar novas manifestações artísticas, modificaram o padrão arquitetônico no 'Boom Museológico', o mesmo criou uma Nova Museologia vigente nos dias de hoje. Ela trouxe novos valores que se assentaram junto com proliferação de projetos. Conceitos técnicos e arquitetônicos como a união da iluminação artificicial com a natural, a mais empregada hoje, novos desenhos de expositores, o acuro dado às salas de exposição , os percursos internos, uma intensa busca de formas e uma adequada inserção do edifício no seu contexto urbano. E Conceitos museológicos como espaços neutros, de modo a não haver competitividade entre a arte e a arquitetura, e espaços flexíveis no que diz respeito às estruturas dos espaços expositivos para superar a complexidade do programa. Todas estas questões cruzaram a minha mente no momento da elaboração da proposta de um museu para a cidade de São Paulo que a seguir se apresentará.

Projeto

MUSEU DA INSTALAÇÃO - MiN
O Museu de Instalação vem atender a uma necessidade por parte da cidade de São Paulo de um espaço de exposição destinado tão somente à arte contemporânea no segmento das instalações, telas e/ou objetos de grande porte. O caráter do acervo é permanente e também provisório, a exemplo do espaço destinado a Bienal de Artes de São Paulo, com o intercâmbio de obras dos mais diferentes países. E para tanto necessita não só de espaços amplos de exposição como também de instalações e serviços inerentes, os chamados serviços ligados às coleções, de um departamento administrativo, de finanças e de marketing, serviços auxiliares, de lazer e departamentos de pesquisa e educação. Encarou-se o museu como um centro de atividades com mútiplos usos e procurando atender as necessidades atuais de tempo e dificuldade de deslocamento numa cidade como São Paulo. Houve também a intenção de ligar todas estas atividades internas do museu a um parque e/ou área verde, centralizando todas estas atividades comuns e caracterizando a ida ao museu como uma programação extensiva. Visou-se atender usuários tão diversos como: grupos escolares, famílias, grupos da terceira idade, trabalhadores, pesquisadores, moradores da região e turistas. Extendendo assim o papel expositivo/cultural/educativo do museu. De maneira a concentrar todas as necessidades apontadas proporcionando uma visão mais completa do uso do museu foi escolhido o Parque Alfredo Volpi no Bosque do Morumbi na região do Butantã, situado entre as Avenida Oscar Americano e a Circular do Bosque. Esta área possiu um traçado com parque infantil, pista de cooper e atividades integradas, além de área de estacionamento e uma Igreja - São Pedro e são Paulo, datado de 1972 segundo o mapa cartográfico fornecido pela Emplasa. De acordo com uma verificação feita no local, parte das instalações estão em pleno uso e gozam de manutenção e frequência diária. Contudo a parte superior do terreno em declive (60 metros de altura) está abandonada e seu mato crescido. Ainda que o traçado inicial tenha sido concluído a destinação dada a ele não foi efetuada. Por esta razão que a área escolhida para a implantação do projeto foi a de um platô localizado na cota 772 que além do mais possui um panorama raro em São Paulo. O Parque possui entradas e saídas já definidas que serão mantidas bem como todo o traçado já proposto. E todas as instalações seriam ligadas ao museu como uma extensão do uso do parque e paralelamente do uso do museu.Com a criação de novas linhas do Metrô que viriam atender esta área (a '4' e '5' de acordo com a revista São Paulo da Gazeta Mercantil de set/97) novas linhas de ônibus passariam também a operar, proporcionando à área um acesso eficiente, já que a mesma está servida de corredores como a Marginal Pinheiros (entre as pontes Eusébio Matoso e Cidade Jardim) e das Avenidas Vital Brasil, Franscisco Morato e Morumbi. Somado a isto a região está sofrendo uma transformação gradual, principalmente próxima a Avenida Oscar Americano, com construções de edifícios residenciais, transferências de empresas, hospitais de grande porte. Tudo isto nos levou a crer que esta seria uma área com bastante potencial, não obstante as dificuldades do terreno, para a nossa proposta de um museu, em que todos os componentes para torná-lo um passeio completo estão garantidos. Um museu destinado a exposição de uma arte atual, com atividades educativas e de pesquisa, atividades de lazer que compreende desde uma refeição, uma boa leitura, até passeios por uma área verde ligada a lagos e, por fim esportiva e infantil. Neste sentido o deslocamento de parte da população para a região do Morumbi viria a desafogar o fluxo intenso na área do Ibirapuera, principalmente no final de semana. A idéia inicial seria de um museu, como já mencionamos, divididos em acervo fixo e exposições itinerantes, voltado à documentação e estudo desta atividade. Ou seja, todo o processo criativo do autor seria documentado através de slides, bem como, é claro, a obra em sí. No caso de obras de cunho interativo, toda a performance seja do autor, do espectador ou de outrens, também seria documentada, constando na videoteca e podendo ser apresentada e discutida no auditório anexo ou intercambiada. Assim o museu possuiria também um acervo virtual. Isto permitiria uma maior rotatividade além de permitir o uso do espaço para fins comercias, que somados à cafeteria, à livraria e à loja de souvenirs auxiliariam a captação de fundos para a manutenção do museu. Ao município caberia a cessão do local bem como a manutenção das áreas externas, dos caminhos, dos lagos, etc… O museu teria também um caráter informativo e educativo, contando ainda com uma biblioteca específica voltada para a área museológica. Sua implantação respeitou o Norte magnético do terreno de maneira a evitar a incidência solar nas áreas de exposição restringindo-a nas áreas de circulação e de acesso. Poderíamos salientar características importantes deste projeto como o respeito às obras expostas, permitindo seu isolamento em relação às demais áreas, facilidade de acesso interno, a busca de um programa extensivo à educação e à pesquisa, ou o estabelecimento de áreas de descanso, informação e de alimentação. Mas o que se deve considerar mais importante é a possibilidade de deleite da natureza, com seus panos de vidros laterais estratégicos e sua cobertura zenital, mantendo o espectador próximo à obra dos homens e também da obra de Deus.